Como o pensamento sistêmico pode contribuir com melhores resultados? Entenda!
No atual cenário empresarial, a competição acirrada entre as empresas exige que elas desenvolvam estratégias cada vez mais eficientes. No entanto, muitas empresas ainda se concentram em soluções pontuais para resolver seus desafios, sem levar em consideração o impacto que essas ações podem ter no todo. É nesse ponto que o pensamento sistêmico pode ser uma ferramenta valiosa para o aprimoramento da cultura empresarial.
É bem comum que gestores, líderes e administradores tenham dificuldade para compreender como a cultura organizacional se aplica na prática de sua corporação. Esses profissionais precisam estabelecer relações e lidar com cada colaborador de maneira singular – já que cada um tem uma personalidade própria – ao mesmo tempo em que todos fazem parte de um único sistema: a empresa em que atuam. Por isso, não basta olhar cada departamento separadamente. O mais adequado é olhar de forma integrativa, aproveitando as ações em prol do todo. Mas o que tudo isso significa? A ComScience está aqui para esclarecer tais importâncias. Vamos lá!

O olhar integrativo na cultura empresarial torna-se possível a partir do pensamento sistêmico aplicado ao ambiente corporativo.
Mais do que analisar o sistema, o pensamento sistêmico estimula a refletir com (ou como) ele. Em outras palavras, é a busca de um entendimento integrativo dos fenômenos.
Denise Zanuni, Psicóloga e especialista em Desenvolvimento Humano e Organizacional, explica que somente a partir do pensamento sistêmico é possível identificar as relações e interdependências entre diferentes departamentos e processos constantes de uma empresa. Essa análise ajuda a prever possíveis consequências e a entender melhor os efeitos das mudanças. “Isso possibilita a criação de soluções mais eficazes e sustentáveis, e ainda ajuda a alcançar uma abordagem mais estratégica e integrada para a gestão de negócios”, frisa a psicóloga.
Sistema
O sistema de uma organização envolve todos os elementos que a fazem caminhar. Estamos falando dos colaboradores e das interconexões que existem entre eles. Então, a pergunta é: como este sistema atua? É essencial que exista um propósito para tudo o que ele faz. De acordo com Gustavo Mayrink, Especialista em Aprendizagem Organizacional, “o primeiro insight, talvez o mais poderoso, é: o sistema está sempre certo! O que pode ser aprimorado é a percepção dos gestores sobre ele. Isso porque, se o sistema gera um determinado resultado, é porque está sendo projetado para esse propósito”.
Independentemente do resultado almejado, o que acontece é uma tentativa da liderança para controlar o sistema sem pensar na energia que vem injetando nele. O caminho pode ser outro. Voltar ao início e replanejar, criando uma cultura sistêmica, é sempre a melhor estratégia.
Cultura sistêmica
Para criar uma cultura sistêmica na empresa, é imprescindível que os gestores observem com o sistema; em vez de apenas observar o sistema – o que é mais comum. Ou seja, ao invés de tentar controlar as equipes, é fundamental entender os resultados e como eles foram obtidos. Por que os propósitos se mostraram dessa forma? A liderança pode observar seus principais aspectos e motivações.
Gustavo explica com um exemplo didático: “você pode começar observando a alta rotatividade de um determinado setor, por exemplo. Nem sempre basta aumentar os salários para equipará-los com os da concorrência. Mas, é primordial entender uma série de outras necessidades dos indivíduos”.
Isso quer dizer que observar o sistema vai muito além dos aspectos financeiros e das metas. Esse exercício engloba todas as dinâmicas que envolvem um setor, como as atitudes dos profissionais, o poder de fala, as renúncias, reclamações etc. Neste sentido, vale compilar as informações e ações que mais se repetem, porque elas indicam que há um padrão. E, se o resultado não estiver a contento, é necessário tentar reverter os padrões já formados naquele ambiente por um conjunto de ações repetitivas. O especialista em aprendizagem organizacional afirma: “Se algo acontece tantas vezes ao ponto de ser notado, há um grande indício de que naquele setor exista um fenômeno a ser melhorado, mas, para isso, antes, ele precisa ser entendido”.
“Se algo acontece tantas vezes ao ponto de ser notado, há um grande indício de que naquele setor exista um fenômeno a ser melhorado, mas, para isso, antes, ele precisa ser entendido”
Como a empresa pode adotar a cultura do pensamento sistêmico?
Essa mudança cultural é significativa e envolve a forma como as pessoas pensam e também como trabalham. Nem sempre todos os aspectos do sistema (que é a própria empresa) são vistos e percebidos por quem faz parte desse contexto. Por isso, muitas vezes, é interessante contar com o suporte de profissionais especializados para chegar a melhores resultados.
Entre as principais estratégias para que uma empresa coloque em prática a cultura sistêmica no seu dia a dia, destaque as seguintes:
1. Educação e treinamento
Todos os membros das equipes de uma organização devem entender os conceitos básicos do pensamento sistêmico e saber como aplicá-los em suas funções. Denise dá alguns exemplos: “workshops, cursos e palestras específicas sobre o assunto ajudam (e muito) quem quer começar”.
2. Encorajamento
Cada líder deve saber como encorajar a colaboração de sua equipe com diferentes setores. Tal medida é importante para a compreensão das interdependências e para firmar relações. “A criação de um ambiente em que a troca de ideias e a colaboração são incentivadas pode ajudar a fomentar a nova cultura almejada pela empresa”.
3. Melhoria contínua
Como o pensamento sistêmico é voltado para a resolução de problemas de forma eficaz e sustentável, adquirir a nova cultura implica diretamente uma melhoria constante das estratégias e ações organizacionais da companhia. A psicóloga pontua que “isso pode ser alcançado por meio de feedbacks, avaliações e análises frequentes dos processos e resultados”.
4. Liderança inspiradora
Além de implantar uma nova cultura (a sistêmica), é preciso inspirar a equipe. Já ouviu falar na frase “ação e reação”? Então, ela se encaixa muito bem aqui. Os gestores da empresa têm como função memorável demonstrar engajamento com a cultura do pensamento sistêmico e colocá-la em prática em suas próprias decisões e ações. O objetivo é dar o exemplo. “Dessa forma, podem influenciar e motivar suas equipes a seguirem os mesmos princípios”, diz a especialista em DHO.

Criar e manter um olhar integrativo na empresa além de melhorar os seus resultados, favorece também quem ali trabalha, porque contribui para que cada um se sinta parte daquele sistema e responsável por mantê-lo cada vez mais vivo e saudável.
O pensamento sistêmico ajuda a desenvolver uma visão mais holística das relações entre as pessoas dentro de uma organização, fomentando uma cultura de colaboração e integração. Ao invés de enxergar a instituição como um conjunto de indivíduos competindo entre si, é possível entender a empresa como um sistema vivo no qual a colaboração e a interdependência são fundamentais.
Em resumo, adotar uma cultura empresarial integrativa pode ser extremamente vantajoso para as marcas, principalmente em um mundo cada vez mais complexo e interconectado. Ao abraçar uma abordagem que valoriza a colaboração, a diversidade de ideias e a resolução de problemas de forma criativa, as empresas podem se tornar mais adaptáveis, inovadoras e eficientes.
Além disso, uma cultura integrativa pode contribuir para um clima organizacional mais positivo, aumentando a satisfação e a motivação dos colaboradores. Isso pode resultar em melhoria de performance das equipes e crescimento sustentável a longo prazo.



